sexta-feira, 10 de maio de 2013

Poemas - Especial Dia das Mães



LEGADO DE MÃE

Do escuro e silencioso ambiente
Aconchegado em concha espero
Uma voz vem perturbar meu descanso
Sinto seu acalento e desperto a curiosidade
Preciso conhecer a dona dessa voz que me alegra

Em seus braços fui acarinhado assim que cheguei
Talvez por não ter dentes meu sorriso a fazia chorar
Mas mesmo chorando sentia seu coração acelerar
Minhas sujeiras você limpava e de madrugada te acordava
Cansada sei que estava, mas mesmo assim você nunca faltava

E assim fui crescendo
Trocando minha chupeta por um presente de natal
Sua ausência foi tendo intervalos cada vez maiores
Passei a esperar ansioso a noite para a hora da história
E jogos de tabuleiros e piqueniques nos reuniam todo final de semana

Mais independente fui ficando
Escola, vôlei e cursos ocupavam meus dias
Grandes grupos de amigos fiz
E fiz de nossa casa uma verdadeira “casa da mãe Joana”
Mas com paciência e simpatia você recebia a todos, sem reclamar

Finalmente cheguei. Estou no divisor de águas
De um lado uma criança bricalhona e super ativa
Do outro um rapaz com responsabilidades e obrigações
No ingresso a vida adulta o medo me alcançou
Mas escutando meu silencioso grito de socorro você me guiou

Hoje nós invertemos nossos papeis
Enquanto trabalho, estudo e me divirto com os amigos
Você me espera em casa para uma boa conversa e um bom carinho
Só que apesar de querer aproveitar esse breve momento contigo
“Sem tempo e com milhares de coisas para fazer estou” diz minha vã consciência

Daqui a pouco formarei minha própria família
Chorarei com um sorriso banguela, limparei sujeiras,
Lerei histórias, jogarei jogos, aconselharei sempre que for preciso
E ainda guiado pela sua sabedoria, força, paciência e carinho
Passarei para as futuras gerações todo o legado que você me passou

Te amo!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

EXEMPLO DE ETIQUETA NO ONIBUS



Acho engraçado esse pessoal do ônibus, a ideia de preferência e de solidariedade deles é bem distorcia para favorecer a sua situação. Todos aqui sabem que a preferência dos assentos é dos idosos, gestantes, deficientes físicos e pessoas com grandes e pesadas sacolas (esse ultimo por questão de consciência e bom senso), entretanto o povo brasileiro sempre arranja um argumento para a sua defesa, como falar que existem assentos preferências para esse grupo seleto de pessoas e se já estão ocupadas, eles não podem fazer nada.
Olha aquela situação, uma mulher, beirando seus 45 anos, com sacolas de supermercado suficientes para alimentar dois filhos mais o marido por duas semanas, em pé, com 6 sacolas numa mão e duas na outra que também segura a barra de ferro para tentar mantê-la em equilíbrio, ao lado dessa pobre pessoa esta uma estudante, com aproximadamente 15 anos, sentada, apenas com uma mochila no colo e conversando com sua colega. O que custaria a menina dar o seu lugar para a senhora que esta carregando muito peso? Aposto que ao sentar a senhora iria se oferecer para carregar a mochila da estudante como agradecimento. Só não dou o meu lugar porque também estou com muita carga, minha mochila esta com pelo menos 3 livros grossos, um caderno, notebook, agenda, roupa... sem contar que tenho que terminar de ler esse livro até depois de amanhã e o único tempo que tenho para lê-lo é no ônibus.
Ou então aquilo, uma senhora de uns 70 anos tentando se sustentar em pé no sacolejar do ônibus porque todos que estão ao lado dela estão dormindo ou falando no celular olhando para paisagem da janela como se ainda não tivesse visto a senhora ao seu lado. Tenho certeza que não tinha ninguém dormindo antes dela entrar. Esse jeitinho brasileiro me irrita. Se ela não tivesse tão longe e o ônibus tão lotado ia chamá-la para sentar no meu lugar, mas nesse amontoado de gente a frágil senhora deve fazer um esforço muito grande para chegar até aqui, melhor que ela fique por lá mesmo. A qualquer instante alguém pede parada e ela vai poder sentar.
E aquela mulher. Qual o problema dela colocar seu filho que deve ter uns 7 / 8 anos no seu colo para poder vagar mais um assento? Garanto que não iria atrapalhar o jogo que o menino está jogando no celular. Como tem gente sem noção no mundo. Se minha prima fosse um pouco mais nova eu colocá-la-ia no meu colo e daria o lugar para uma dessas pessoas cansadas voltando para casa depois de uma rotina dura de trabalho, mas hoje em dia uma criança de 11 anos não é mais criança né?!
Olha! Parece que vai entrar um cadeirante. Agora eu quero ver como esse povo vai se comportar, fingir que estão dormindo é que não vão, eles são curiosos demais para isso, mas duvido alguém se levantar para ajudar o rapaz a subir no ônibus. Aquele rapaz por exemplo, provavelmente ele vai ficar olhando todo o processo sem ajudar porque deve ser a primeira vez que ele vê essa situação e quer saber como funciona o elevador feito especialmente para os cadeirantes entrarem nos ônibus. As mulheres vão ficar olhando para o deficiente físico e para os homens que estão dentro do ônibus com olhar de suplica, para ver se alguém se compadece e ajuda o pobre rapaz, entretanto não vão falar nem fazer nada. E o motorista e o cobrador? Nem se mexem, acho que para eles parar para os cadeirantes já é mais do que um favor que eles fazem. Sério mesmo que ninguém vai se mexer para ajudar? Vão ficar só olhando a batalha do homem para encaixar a cadeira no elevador? Tudo bem que eu já esperava, mas sempre acho que vai aparecer um salvador. Ah, ufa! O salvador apareceu. Mas fala sério, se depender dessa sociedade estamos ferrados. Deveria existir mais gente como eu que se preocupa com o próximo. Agora posso voltar a ler meu livro em paz.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Poemas



IMPOSSÍVEL QUERER

Eu quero o que penso
O que sinto, o que cheiro
Mas num campo ensolarado de relva verde
Não sinto o cheiro da chuva
Num lago límpido da Antártida
Não sinto o morno e doce toque da pele
E com a falta da nostalgia infantil
Não penso em nada mais que um fim tétrico
Como é querer ter o medo ao seu lado
Para poder sentir nada mais que vento úmido
Um sopro gélido de esperança
Para dizimar a dicotomia da conquista
Conquistando todo cheiro, o sentido e o pensamento
Assim num campo ensolarado
Sentirei o morno e doce toque
Numa infantil lembrança
Lembrarei da leve fragrância da chuva
E num límpido lago
Cristalizarei todo mal que viria a ser
Ou tudo isso não passa de uma turva visão de branco
Donde todo cinza vira paisagem
E toda paisagem é cinza

terça-feira, 30 de abril de 2013

CDZ x CDZ Ômega (parte II)




Pois é, estou eu aqui de novo para falar sobre os Cavaleiros do Zodíaco Ômega e mais uma vez para falar sobre as coisas que me incomodam nesse anime. Tá...tá , sei que poderia escrever sobre outros animes, talvez falar do melhor anime que já assisti ou acabar com o pior anime que já vi (ou simplesmente falar de outra coisa mais relevante do que animação japonês), entretanto tem alguma coisa em CDZ Ômega que me incomoda bastante, à ponto de sentir a necessidade de escrever sobre ele.
Primeiramente gostaria de dizer que fiquei feliz em saber que não fui o único a achar bizarro toda essa nova roupagem que estão tentando implantar nos Cavaleiros do Zodíaco, li e ouvi muitos comentários contra essa saga, alguns reafirmavam o que eu já havia dito e outros acrescentavam outras críticas. Assim como também ouvi pessoas defendendo a saga de Ômega e chamando de mente fechada e tradicionalistas as pessoas que criticavam o novo anime, chegando até a fazer comentários mais pessoais do que relacionados ao tema em questão, para essas pessoas só quero dizer o seguinte: Sim, eu sou tradicionalista em alguns aspectos. Não sou contra as mudanças e a evolução, muito pelo contrário, sempre apoiei o novo, entretanto temos que aprender a respeitar o clássico. Quando você pega (no caso) um desenho que se tornou um clássico para dar um ar moderno a ele, tem-se que ter respeito com as suas regras, leis e história e ter um cuidado ainda maior com as mudanças. Costumo relacionar a mudança de Cavaleiros do Zodíaco com a mudança que Stephenie Meyer fez com os vampiros, foi uma mudança tão brusca que poderia falar que o vampiro da saga Crepúsculo é uma nova geração de criaturas com uma linhagem de semelhança com os vampiros (que em minha opinião tornaria o livro bem mais aceitável, apesar dessa não ser a única falha na obra). O mesmo poderia ser feito com Ômega, poderia dar ao anime outro nome e dizer que tem alguma referencia com a saga original de CDZ, assim como o próprio Kurumada fez, o B’tX é um mangá com uma história totalmente diferente de Cavaleiros, mas tem obvias referencias de CDZ nele (além dos traços).
Enfim, sem me prolongar mais do que já o fiz, voltei a escrever sobre o Ômega para falar sobre os novos murmurinhos que tenho escutado sobre o anime. Depois de muitos fãs da saga clássica terem reclamado dessas mudanças exacerbadas que fizeram, os produtores do novo anime resolveram modificar algumas coisas e voltar ao que estava funcionando muito bem na saga original, como por exemplo, os traços das armaduras, para mim é uma mudança insignificante, pois isso é o tipo de mudança que não influencia na essência, podemos ver na saga G dos CDZ que os traços são muito diferentes do original e mesmo assim o mangá é espetacular.
Mas a mudança que esta sendo mais comemorada é a volta das urnas das armaduras. Assim como eu disse no primeiro texto (segue link para quem ainda não leu: http://www.bululante.blogspot.com.br/2013/02/cdz-x-cdz-omega.html), a história das gemas “mágicas” era uma das mudanças que tinha me incomodado bastante, as gemas que os cavaleiros usavam para invocar as armaduras tornavam as coisas muito místicas, de onde vinham as armaduras? Do espaço? De dentro da gema? Ela é feita de energia ou é algo material? Ou é como uma onda eletromagnética que tem duas naturezas? Sem contar que tiraram uma dificuldade que existia no desenho clássico, pois não era qualquer um que conseguia carregar uma armadura, poderia ser o homem mais forte do mundo, mas se não soubesse liberar o cosmo a urna, assim como a armadura, iriam pesar como chumbo. Outra coisa que também privaram é ver a armadura se desmontando e sendo vestida no cavaleiro. Enfim, resolveram concertar isso e fizeram com que as novas armaduras (com traços mais angulados como era as de Kurumada) fiquem dentro das urnas e nossos jovens aventureiros estão carregando essa enorme caixa para cima e para baixo.
Ta tudo muito bom, ta tudo muito bem, mas os produtores não poderiam apenas mudar isso do nada e achar que o publico iria aceitar, então o que eles fizeram? Criaram uma história para explicar essa mudança e foi ai que eles erraram feio (erraram muito feio, erraram rude), mas vamos por partes. Na 1ª temporada do anime tem um episódio que aparece Kiki, Cavaleiro de Ouro da casa de Áries (uma das coisas boas do anime é ver a evolução dos personagens da saga clássica) consertando as armaduras dos cavaleiros de bronze antes deles enfrentarem os outros cavaleiros de ouro, pois então, como Kiki concertou as armaduras? Com pó de estrelas, seu cosmo e... e... só. Só isso! Cadê o sangue de cavaleiro? Quem não se lembra do Shiryu quase morrendo para dar seu sangue para Mu de Áries poder reconstituir a armadura dele e de Seiya? Ou da saga de Poseidon quando todas as armaduras dos cavaleiros de bronze estavam destroçadas pela batalha do santuário e todos os cavaleiros de ouro que sobreviveram deram seu sangue para restaurar as armaduras, o que demonstrou uma homenagem dos cavaleiros de ouro para com os de bronze e o reconhecimento deles como os futuros protetores da paz na Terra e da deusa Atena (sem contar que as armaduras deles ficaram mais fortes já que foram reconstruídas com sangue de cavaleiro e ouro, ajudando assim na vitória deles contra os marinas, cavaleiros de Poseidon). Ou até da saga de Hades quando Shion pinga um pouco de sangue da deusa Atena nas armaduras dos cavaleiros de bronze para reconstituí-las e que por isso eles conseguem usar todo o seu cosmo no castelo de Hades e no final da saga eles conseguem desenvolver as armaduras divinas. Ou seja, o sangue é o toque especial e essencial da reconstrução de uma armadura.
Não obstante eu deixei passar, tanto que nem foi um dos meus comentários no 1º texto que fiz sobre o assunto, só que dessa vez eles passaram dos limites. A história que inventaram para justificar a mudança do traço da armadura e o fim das gemas para as urnas foi que: uma armadura possui seu próprio cosmo (até ai beleza) e que aos poucos ela se regenera sozinha (humm... ficando estranho, mas aceitável), mas o segredo real da reestruturação da armadura é o cosmo do seu protetor, ou seja, qualquer cavaleiro que elevar muito o seu cosmo (queria saber até qual sentido, porque já vi cavaleiros atingindo o 8º sentido para elevar seu cosmo ao máximo para poder ir ao inferno sem morrer) pode reconstruir sua armadura sozinho.
Eu custo a acreditar que o segredo de consertar uma armadura passada de geração a geração para os cavaleiros de ouro da casa de Áries seja esse (na verdade acho que é passado para os cavaleiros da cidade de Jamil, não necessariamente um protetor da casa de Áries), custo mais ainda acreditar que Mu de Áries (mestre de Kiki) fazia com que os outros cavaleiros sangrassem até a quase morte só por diversão. Também quero descobrir até onde um cavaleiro tem que elevar o seu cosmo para que essa regeneração ocorra, já que teoricamente na saga clássica a elevação máxima do cosmo é no 8º sentido que você só atinge quando está à um passo da morte.
Está aí a comprovação do que uma pequena mudança sem respeitar a história do 1º criador pode ocasionar, ele torna a saga que já passou sem sentido nenhum, se sangue não serve para nada no conserto de uma armadura, por que Shiryu quase morreu? Por que os cavaleiros de ouro deram seu sangue? Por que só o sangue de Atenas restaurou as armaduras? Por que só os cavaleiros de ouro de Áries conseguem consertar as armaduras? Por quê? Por quê?
Para mim, antes tinham duas possibilidades deles concertarem esse anime:
1ª – Mudar algumas coisas para ficar mais próxima da original;
2ª – Tirar o nome “Cavaleiros do Zodíaco” do titulo e continuar como se fosse outro anime.
Entretanto essa primeira possibilidade já não é uma opção para mim. Se mudando uma coisa simples como as gemas para as urnas eles fizeram essa cagada toda (sim, eu preferiria que continuasse com as gemas a ver essa invenção absurda), imagine se fossem tirar as habilidades deles de controlarem elementos (isso me irrita profundamente), talvez eles matem todos os deuses gregos e criem um deus único, o Deus cristão, para justificar a mudança.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resenha - Meu pé de laranja lima



José Mauro de Vasconcelos
Meu pé de laranja lima
Editora: Melhoramento
Rio de Janeiro, 2010 - 189 páginas
Idioma original: Português

Ontem fui ver o filme baseado no livro “Meu Pé de Laranja Lima” e me fez lembrar a história do livro, do quanto chorei, ri, fiquei com raiva... do quanto me envolvi ao lê-lo e resolvi fazer a resenha do livro mais tocante que já li.
Quem nunca sonhou em ter uma infância feliz, divertida, alegre, brincalhona, cheio de amigos, podendo correr para onde quiser, tomar banho de piscina, mar, rio, soltar pipa, contar histórias, jogar com os amigos da escola, ganhar presentes de natal e mostrar para os amigos, comer sorvete, doces e bolos a vontade, enfim, viver sua infância na plenitude do que a vida oferece. Zezé é um garoto que apesar das adversidades conseguiu extrair sempre algo de bom da vida.
A obra é semi-autobiográfica, conta a história de Zezé, um menino que nasceu numa família com grandes dificuldades financeira, cujo pai não consegue emprego e a mãe era ausente do ambiente familiar, pois tinha que trabalhar para sustentar uma família de 5 crianças mais o marido. Entretanto Zezé era uma criança muito criativa, ativa, inteligente e alegre, mas seu temperamento brincalhão o colocava em más situações, sendo considerado um diabinho pela família e sempre apanhando como castigo das traquinagens.
No meio dessa vida sofrida e cheia de privações, Zezé fez grandes amigos pelo caminho, pessoas que realmente gostavam dele e o ajudava a superar todos os maus que estava passando, como por exemplo, seu pé de laranja lima, apelidado de Minguinho que sempre estava pronto para escutar e conversar com seu dono e levá-lo as maiores aventuras cavalgando em seu cavalo branco. Assim também como a sua professora que viu em Zezé uma criança muito inteligente, gentil e justa.
Mas seu maior companheiro foi o Portuga, ou como poucos o chamam, Sr. Manuel Valadares. Zezé que no começo o considerava como seu maior inimigo, viu no velho Portuga, que tem o melhor carro do mundo, um grande amigo. Depois do começo dessa amizade Zezé passou a suportar todas as punições que lhe passavam com mais facilidade e também a se comportar mais para que pudesse se encontrar com seu melhor amigo sempre que quisesse.
Neste livro eu morri de rir com os comentários sinceros e diretos de Zezé, fiquei com raiva da família dele pelo modo como tratavam essa pobre criança e chorei de soluçar com as perdas e sofrimentos que esse menino passou. Para quem quer se emocionar com uma boa leitura recomendo o livro “Meu pé de laranja lima”, você não vai se arrepender.

terça-feira, 23 de abril de 2013

PARADA DE ÔNIBUS - A CONSULTA (parte I)



- Bom dia. – saúda a senhora.
- Bom dia - responde o rapaz se acomodando no banco da parada de ônibus.
Todos os dias, as 6:00AM, o jovem de 22 anos vai para a parada de ônibus do Itamarati para esperar o transporte da empresa onde trabalha, e todos os dias ele encontra essa senhora cheia de classe esperando o 4 (ônibus alternativo para Parnamirim) que sempre o saúda com um simpático “bom dia” e normalmente a conversa para por ai. Entretanto parece que existe uma lei não regulamentada que diz: “se durante pelo menos uma semana você encontrar todos os dias com uma mesma pessoa e o tratar com educação e respeito, por lei vocês são considerados amigos íntimos, tendo assim como benefício:
§ 1º - Perguntar sobre a família dele e falar sobre a sua;
§ 2º - Pedir favores em relação a profissão dele;
§ 3º - Falar sobre seus problemas e exigir conselhos.”
Como essa lei é de conhecimento popular, a cara senhora, com 3 semanas de convivência diária, sentiu-se a vontade de exigir seus direitos.
- Finalmente sexta-feira né? – disse a senhora tentando puxar um assunto.
- Com certeza. Semana pesada. – respondeu o jovem ainda com sono.
- Nem me fale. – disse se virando para o rapaz já se animando para continuar a conversa – Já comecei a semana com o clima meio pesado do final de semana.
- Hum. – respondeu por educação, pois na verdade ele ainda estava com muito sono.
- Nossa você sabe o que me aconteceu no final de semana passado? – esperou por uma resposta que não veio, mas isso não a intimidou – É que eu saí com uns amigos no sábado a noite e dentre eles tinha um amigo que tem problemas com bebida.
- Hum. – disse o jovem se virando para ela, percebendo que ela ia continuar a conversar de um jeito ou de outro.
- Então... faz um tempo que estou tentando ajudá-lo a parar de beber. Ele não quer ir para as reuniões do AA, por que não se considera alcoólatra...
- Nenhum deles considera.
- Pois é, por isso que quando ele sai a noite no final de semana, eu tento ir junto para tentar controlá-lo de alguma forma...
- Mas não adianta né?!
- Quando estou com ele normalmente ele não bebe, tirando o final de semana passado.
- Isso mostra que ele deve beber quando você não esta por perto.
- Então o que devo fazer? Não posso ficar no pé dele o tempo todo.
- E nem deve.
- Ele é um amigo tão querido. Não queria que ele se perdesse. – silêncio – Então, o que eu posso fazer.
- Não sei. O ideal é ele se conscientizar do problema.
- Pois é, mas como vou fazer isso?
- Não sei.
- Talvez se eu mostrar o mal que isso faz a sua saúde...
- Talvez.
- Ou então mostrar os perigos que ele passa ao beber.
- É.
- Mas eu já fiz isso tudo e de nada adiantou. Teria que abordá-lo de uma maneira diferente. Uma forma que o atinja diretamente. Uma coisa mais concreta do que as possibilidades de doenças e acidentes.
- Uhum.
Os dois permanecem um tempo calados, ela olhando para o céu com uma expressão pensativa, ele fica olhando para o nada com a cara inchada de sono. Até que num salto a senhora exclama:
- Já sei. – diz animada olhando para o seu confidente e ele “acordando” no susto. – Veja se vai dar certo.
- Humm. – resmunga ainda se recuperando do susto.
- É o seguinte, ao invés de falar aquilo que todos falam para alguém que é dependente químico, vou pegar as coisas que acontecem na vida dele e mostrar que aquilo com o que ele não esta satisfeito na vida poderia ser solucionado se ele parasse de beber ou pelo menos diminuísse a quantidade.  – concluiu olhando para seu novo amigo com uma expressão alegre. – e ai, o que acha?
- Bom. Não custa nada tentar.
- Ufa, ainda bem que pensamos em alguma saída, já estava ficando muito preocupada. – disse olhando para a rua para ver se seu ônibus estava chegando. – Eita, olha ai o 4. Demorou hoje né?! Mas foi bom, deu para a gente conversar bastante. – pegou sua bolsa, se levantou e esticou sua mão para o rapaz. – Muito obrigado pela ajuda e os conselho. Você é bem maduro para alguém da sua idade. Bom trabalho.
- De nada. Bom trabalho para você também.
Ele ficou lá pensando no que tinham conversado, tentando relembrar o que tinha respondido, tentando entender o que tinha acontecido e tentando lembra pelo menos qual era o nome dela.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Resenha - Auto da Compadecida



Ariano Suassuna
Auto da Compadecida
Saraiva de Bolso (edição especial)
Rio de Janeiro, 2012 - 157 páginas
Idioma original: Português

O Auto da Compadecida é uma história conhecida e adorada por todos os brasileiros. Uma peça teatral que foi adaptada para a televisão, cinema e livro, que conquistou a todos com seu alto teor de humor, regionalismo e com leves toques de crítica velada nos risos. Esta obra esta mais do que consagrada na cultura popular brasileira.
A obra passa-se em três atos: no primeiro ato é contada a história do enterro do cachorro; o segundo é sobre o gato que “descome” dinheiro e da gaita magia; e o terceiro ato mostra o julgamento divino dos mortos pecadores. Esta história é uma compilação de quatro contos populares de literatura de cordel. O livro tem a estrutura de um texto de peça teatral, no qual Suassuna transformou os contos de 3ª pessoa de estrutura narrativa dos cordéis em texto de prosa na 1ª pessoa.
O humor da obra é indiscutível, o padeiro chifrudo, o padre oportunista, o bispo ganacioso, a mulher fogosa do padreiro chorando a morte do cachorro, o frouxo e contador de histórias do Chico, até Manoel e Nossa Senhora tem seu ar cômico na história, mas o destaque com certeza fica com João Grilo e seus tramites para se dar bem.
João Grilo é um homem pobre, com pouca escolaridade, trabalhador que sonha em se dar bem na vida e para isso ele usa de sua inteligência e raciocino rápido para aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe dá, entretanto cada história que ele inventa sempre acaba dando confusão e para contorná-la João Grilo acaba entrando numa confusão maior ainda e assim vai até que ele se sinta satisfeito e se dê bem. Esse personagem é trapalhão, trapaceiro e vive metendo ele e seu amigo Chicó em confusão, mas seu carisma e sua comicidade fazem com que sempre torçamos para que ele se dê bem no final.
Os diálogos são muito inteligentes, cheios de gírias regionais do interior do nordeste e, claro, cheio de ironia, mostrando o lado corrupto, individualista e ganancioso do ser humanos de uma forma bem engraçada, mas também mostra o lado puro do coração do homem, como o companheirismo, amizade, amor e fidelidade que em situações extremas sempre prevalecem.
O artifício de Suassuna de fazer com que um palhaço conte a história como se a platéia estivesse no circo e a peça acontecendo no picadeiro, torna o livro ainda mais encantador e lírico. Não é a toa que este livro se tornou um clássico e uma obra referencia da cultura brasileira, só o que posso fazer é me juntar a milhares de leitores que já tiveram o prazer de ler esta obra e em uníssono dizer com eles: “Recomendo. Leiam. Vocês vão rachar de rir. Não irão se arrepender.”