Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de junho de 2013

Poemas

RETA



Lembro-me com nítida perfeição
Que a minha reta nunca foi reta
Tinha pequenas imperfeições
Algumas ondulações
Algumas bifurcações
Até cabelo algumas tinham

Lembro-me do sentimento de frustração
Das linhas tortas no papel
Da repetição insistente
E da falsa ideia de melhora
Dos ângulos se tornando curvas
E das curvas se tornando retas

Lembro-me da satisfação
Depois de tamanho esforço
Depois de tamanha dedicação
Depois de tanto tempo
Finalmente alcancei o objetivo
Minha reta esta finalmente reta

Lembro-me há um tempo atrás
Logo depois da conquista
O orgulho embevecido
A obrigação de refazer a mesma reta
Andar sempre com papel e lápis no bolso
E mostrar para todos o meu sucesso

Lembro-me também da monotonia
Da repetição, da mesmice
Fácil ficou rabiscá-la no papel
Nunca mais curvas, cabelos ou bifurcações
Sim, minha reta era uma reta
E uma reta seria eternamente

Lembro-me de ontem
Das saudades que sinto das curvas
E porque não dizer dos cabelos e bifurcações
A reta é a perfeição que conquistei
Mas uma reta que é sempre reta
Tira todo o sentido da perfeição

Peguei o papel, o lápis e rabisquei
Uma, duas, três...infinitas vezes
Só perfeitas reta desenhei
Então chorei, pois soube neste momento
Que minhas retas nunca mais seriam tortas
E a minha torta vida seria sempre reta

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Poemas - Especial Dia das Mães



LEGADO DE MÃE

Do escuro e silencioso ambiente
Aconchegado em concha espero
Uma voz vem perturbar meu descanso
Sinto seu acalento e desperto a curiosidade
Preciso conhecer a dona dessa voz que me alegra

Em seus braços fui acarinhado assim que cheguei
Talvez por não ter dentes meu sorriso a fazia chorar
Mas mesmo chorando sentia seu coração acelerar
Minhas sujeiras você limpava e de madrugada te acordava
Cansada sei que estava, mas mesmo assim você nunca faltava

E assim fui crescendo
Trocando minha chupeta por um presente de natal
Sua ausência foi tendo intervalos cada vez maiores
Passei a esperar ansioso a noite para a hora da história
E jogos de tabuleiros e piqueniques nos reuniam todo final de semana

Mais independente fui ficando
Escola, vôlei e cursos ocupavam meus dias
Grandes grupos de amigos fiz
E fiz de nossa casa uma verdadeira “casa da mãe Joana”
Mas com paciência e simpatia você recebia a todos, sem reclamar

Finalmente cheguei. Estou no divisor de águas
De um lado uma criança bricalhona e super ativa
Do outro um rapaz com responsabilidades e obrigações
No ingresso a vida adulta o medo me alcançou
Mas escutando meu silencioso grito de socorro você me guiou

Hoje nós invertemos nossos papeis
Enquanto trabalho, estudo e me divirto com os amigos
Você me espera em casa para uma boa conversa e um bom carinho
Só que apesar de querer aproveitar esse breve momento contigo
“Sem tempo e com milhares de coisas para fazer estou” diz minha vã consciência

Daqui a pouco formarei minha própria família
Chorarei com um sorriso banguela, limparei sujeiras,
Lerei histórias, jogarei jogos, aconselharei sempre que for preciso
E ainda guiado pela sua sabedoria, força, paciência e carinho
Passarei para as futuras gerações todo o legado que você me passou

Te amo!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Poemas



IMPOSSÍVEL QUERER

Eu quero o que penso
O que sinto, o que cheiro
Mas num campo ensolarado de relva verde
Não sinto o cheiro da chuva
Num lago límpido da Antártida
Não sinto o morno e doce toque da pele
E com a falta da nostalgia infantil
Não penso em nada mais que um fim tétrico
Como é querer ter o medo ao seu lado
Para poder sentir nada mais que vento úmido
Um sopro gélido de esperança
Para dizimar a dicotomia da conquista
Conquistando todo cheiro, o sentido e o pensamento
Assim num campo ensolarado
Sentirei o morno e doce toque
Numa infantil lembrança
Lembrarei da leve fragrância da chuva
E num límpido lago
Cristalizarei todo mal que viria a ser
Ou tudo isso não passa de uma turva visão de branco
Donde todo cinza vira paisagem
E toda paisagem é cinza

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Poemas



AMORDOTÔ

E no canto em que me encontro
Limito o meu encanto
Que demonstro no meu canto

Canto para você tanto
Amor que não conto
Nem o falar do conto
Nem o contar do conto

Vejo assim, portanto
Que mesmo tentando tanto
Encantar o seu encanto

Permaneço nesse canto
Sozinho, triste e tonto
Apaixonado neste ponto
Lamentando pelo meu torto engano.


* Esse fiz no improviso para uma amiga que estava chorando seus desprazeres amorosos.

sábado, 16 de março de 2013

Poemas

INCOMPLETO

Meus pensamentos seguem e sem perceber passam sem serem retidos
As palavras imaculadas são corrompidas no papel
E o escrito não faz mais sentido
A frustração com o tempo é inevitável
O permanente nunca foi concreto
Só a ilusão satisfaz a expectativa

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia da poesia

Hoje, dia da poesia, faço um post do poema que me inspirou a começar a escrever meu primeiro livro (ainda sem nome).

BALADA DE AMOR ATRAVÉS DAS IDADES

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
Eu, herói da Paramount,
Te abraço, beijo e casamos.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 1 de março de 2013

Poemas

NEGRO BURACO NEGRO

Da luz tem-se a visão
Notar no quadro o ser
Observar no papel o pensamento
Assistir um movimento como todo
Simplesmente olhar e ver o iluminado
Ver a beleza das cores
Mas eu sou a ausêcia das belas
A presença do ser inconsciente e estático
O que é ser um breu no escuro?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Poemas

APENAS PERMANECE

Com o simples objetivo de mascarar
Vivo imaginando palavras veladas
Meus pensamentos vageiam pela eternidade
E nenhum final decorre da interrogação
Como pode um jovem se angustiar de tanta incerteza
Se tudo que se espera dele é viver?

E na corrida a respiração apaga o pensamento
No descansar a contemplação lhe invade
E o que se espera do próximo momento?
Nada! Apenas o pesar do dia-a-dia cotidiano
As dúvidas permanecem
As angustias permanecem
A contemplação permanece
Apenas permanece!