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terça-feira, 9 de julho de 2013

Resenha - A Bússola de Ouro

Philip Pullman
A Bússola de Ouro
Editora: Objetiva
Rio de Janeiro, 2007 – 365 páginas
Idioma original: Inglês
Tradutor: Eliana Sabino

Entre os amigos sempre escutei falar muito no escritor Philip Pullman e sempre eram comentários positivos, entretanto tinha certo preconceito com esta obra literária A Bússola de Ouro, pois achei o filme muito fraco, todavia quando descobri que essa história foi criada pelo tão bem falado Philip Pullman fiquei curioso em ler o livro e resolvi dar uma chance a história.
O livro fala sobre uma menina superativa, brincalhona e corajosa chamada Lyra. Sem saber ela se envolve numa trama muito maior do que o seu universo infantil e quando percebe já esta numa aventura para descobrir os mistérios do Pó, guerreando em batalhas e junto a isso descobre o seu passado e a importância que ela tem para o futuro do mundo.
Apesar da história se passar no mundo que conhecemos, a realidade destes personagens é bem diferente, pois vivem num mundo cheio de mistérios e magia, cuja alma de cada humano é personificada num dimon, um animal mágico que vive a vida inteira com seu humano, um não vivendo sem o outro. Além dos dimons tem também a presença de feiticeiras, ursos polares de armadura e outras criaturas mágicas que dá o toque fantástico a história.
Ao contrário do filme, no livro a história é mais bem desenvolvida, os dramas são mais reais e a progressão é contínua e bem explicada. Pullman consegue incitar o mistério nas doses corretas, nos deixando sempre na curiosidade e por consequência sempre interessados em ler o desenrolar da história. Apesar dos capítulos serem consideravelmente grandes, Pullman não enrola na história para deixar a emoção no final de cada capitulo, ele vai soltando a cada página uma dica de como vai se desenrolar o mistério, prendendo assim o leitor da primeira palavra a ultima.
Entretanto existe um momento anticlímax no enredo, pois durante quase todo o livro o principal objetivo dos personagens principais era de resgatar as crianças que estavam sendo raptadas e a batalha que eles teriam que enfrentar, mas esta cena tão esperada não acontece no final do livro e sim no decorrer dos 80% da história, ficando a cena do urso e o resgate de Asriel no final do livro, que apesar de ser também algo importante para a continuação da história, não era o ponto alto deste primeiro livro. Acredito que esse resgate estaria melhor empregado no inicio do segundo livro ou que ocorresse antes do resgate das crianças e a batalha em Bolvangar.
Tirando também a narrativa que as vezes se tornava um pouco infantil, principalmente as falas que ao meu ver poderiam ser mais bem desenvolvidas, a obra é muito boa, envolvente e cativante. Fiquei com vontade de ler os outros dois livros da saga para saber o desenrolar da história, pois ficou claro que o livro A Bússola de Ouro é só uma introdução para algo muito maior que estar por vir. Recomendo para todos aqueles que querem desopilar lendo algo leve e divertido.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Resenha - As Vantagens de Ser Invisível



 Stephen Chbosky

As Vantagens de Der Invisível

Editora: Rocco

Rio de Janeiro, 2007 - 224 páginas

Idioma original: Inglês

Tradutor: Ryta Vinagre
Depois de assistir o filme do mesmo nome, fiquei com um desejo imenso de ler este livro, pois esperava, como segue a regra, que o livro fosse mais profundo e melhor narrado do que o filme, entretanto, mesmo raro, encontrei a exceção a regra.
O livro conta a história de Charlie, um garoto de 15 anos, retraído, extremamente tímido, inteligente, porém muito inocente em relação a vida e ao convívio social. Logo de cara percebe-se que ele teve algum problema psicológico no passado, pois embora calmo, vira e mexe ele comenta sobre o que o incomoda e com medo explodir num surto, começa a chorar.
Ele começa a se socializar melhor com as outras pessoas (fora a sua família) quando conhece Patrick e sua irmã Sam que vêem no novo amigo uma pessoa pura e inocente e acabam o “adotando” e apresentando-o ao seu grupo de amigos. Charlie por sua vez começa a entrar numa nova fase da vida e a sentir novos sentimentos e emoções, muitas vezes não sabendo reagir em certas situações.
É exatamente neste ponto em que o livro se diferencia do filme. Embora no filme essa inocência de Charlie seja bem marcante, ela não passa do limite do irreal como acontece no livro, ou pelo menos disfarça com mais sutileza. Existem situações em que fica difícil acreditar que o protagonista é um garoto de 15 anos com uma inocência maior que o comum para garotos nesta idade, tem horas que ele reage como se fosse um garoto inocente de 11 anos ou um garoto de 15 anos com algum retardo mental.
Outra coisa que me incomodou um pouco foi a estrutura em que o livro foi escrito, como se cada capitulo fosse uma carta que o protagonista estivesse enviando para alguém. Cada vez mais me convenço o quanto é difícil escrever um livro bom neste estilo, este ano já li três nesta estrutura e só o que me agradou foi “Precisamos falar sobre Kevin”. Acho que essa estrutura não deixa a história fluir como deveria e também muitas vezes acontece de o escritor se perder quando escreve um livro inteiro na primeira pessoa, ora escreve com uma linguagem popular, no caso, como se fosse um garoto de 15 anos escrevendo e ora escreve numa linguagem mais rebuscada o que contradiz com a proposta do livro.
Entretanto a essência da história continua sendo muito boa e profunda, abordando vários temas como a homossexualidade, o abuso sexual infantil, os transtornos e traumas que uma pessoa pode desenvolver sobre uma coisa que aconteceu na sua infância, a relação família e o confuso mundo de escolhas e decisões dos adolescentes que estão ingressando na fase adulta. Sem contar as ótimas referencias musicais e literárias que estão presentes no livro do começo ao fim.
Para aqueles que fazem questão de ler o livro, eu recomendo, garanto que não vão desperdiçar o tempo de vocês, mas para aqueles que não fazem tanta questão recomendo que assistam só ao filme (esse é o tipo de filme que a pessoa tem que assistir pelo menos uma vez na vida), pois acho que a mensagem esta melhor elaborada nele.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Resenha - Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida (livro 1)



Eduardo Spohr
Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida (livro 1)
Editora: Verus
Rio de Janeiro, 2011 - 473 páginas
Idioma original: Português

Atualmente, com o aumento de procura dos jovens por livro, a produção de livros aventura/fantasia tem crescido bastante, dando a oportunidade de novos escritores aparecerem e mostrarem a sua obra. Apesar de não ser comum na literatura brasileira esse tipo de leitura, estão surgindo uma nova geração de escritores que estão conseguindo obter sucesso nessa área e um deles é Eduardo Spohr.
Fugindo um pouco da febre das histórias de vampiros e lobisomens que esta assolando o universo literário na atualidade, Spohr resolve escrever sobre o universo dos anjos. Filhos do Éden é uma saga que conta a história que precede o seu primeiro livro “A Batalha do Apocalipse”. Neste primeiro livro da saga a história gira em torno da misteriosa Atlântida, pois esta é uma peça importante para o desenrolar da batalha entre os anjos.
A história começa com Levih e Urakin procurando por dois anjos desaparecidos, eles tem a missão de encontrá-los, se preciso resgatá-los e ajudá-los a terminar a missão que lhes foi cabida. Entre perseguições e fugas, Denyel, um anjo exilado acaba entrando ao grupo e mesmo relutante no inicio, torna-se uma peça importante para o desenrolar da missão desses anjos.
O universo que Spohr criou é muito bem definido e explicado. Durante a história ele vai nos integrando ao mundo dos anjos, explicando como funciona os sete céus, em quantas castas os anjos se dividem e quais as suas características, a diferença entre anjos, demônios e fantasmas e principalmente a razão da guerra entre os anjos.
O que mais me prende nesse livro é a explicação da origem da vida, de quem é Deus, ou no caso Yahweh, a explicação das catástrofes bíblicas, a inveja que os anjos tem dos humanos, a história de como alguns anjos acabaram simpatizando com os humanos e se rebelaram contra o príncipe dos anjos e seu exercito, Spohr conseguiu até explicar de uma maneira plausível como pode coexistir os deuses das religiões politeístas e o Deus cristão que criou o universo, ou seja, o que mais prende o leitor ao livro não é a trama que esta se desenrolando com os personagens principais e sim o universo em que a história foi criada.
Entretanto algumas passagens me incomodaram um pouco. No começo do livro parecia que Spohr iria cometer o mesmo erro do seu primeiro livro. Em “A Batalha do Apocalipse”, Spohr faz descrições e explicações desnecessárias, como explicar a sentimento que o personagem esta expressando no momento, quando fica claro pela personalidade que ele vem demonstrando até então e a forma como ele falou, tornando assim a descrição redundante. Esse “erro” é típico de quem esta começando a escrever e com medo de o leitor não entender o que quis dizer, acaba reescrevendo uma coisa que dava para interpretar. No primeiro livro de “Filhos do Éden” parecia que Spohr iria cometer o mesmo erro, mas da 60ª pagina em diante, essa redundância já não se apresenta no enredo o que fez com que me envolvesse ainda mais com o livro.
Meu maior medo em ler a continuação deste livro é ver como o autor vai lidar com a personagem Kaira, pois no livro em questão, apesar de ser um anjo, ela ficou bastante humanizada, mas era justificável esse seu comportamento, entretanto para o próximo não se justificaria mais suas reações emotivas e intempestivas, seu comportamento tem que ser mais compatíveis com as dos anjos e mais especificamente as características de sua casta.
Para quem gosta desse estilo de leitura eu recomendo o livro. Ele é bem escrito, as batalhas bem descritas, a história e os personagens bem desenvolvidos. Sem contar que como amante de boas histórias de aventura/fantasia, é sempre bom ver um escritor brasileiro se dando bem ao produzir esse tipo de obra. Eduardo Spohr entra junto com André Vianco no Hal dos poucos brasileiros que tiveram sucesso com esse tipo de literatura e com certeza estarei lendo sempre que possível outras obras dele.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resenha - Meu pé de laranja lima



José Mauro de Vasconcelos
Meu pé de laranja lima
Editora: Melhoramento
Rio de Janeiro, 2010 - 189 páginas
Idioma original: Português

Ontem fui ver o filme baseado no livro “Meu Pé de Laranja Lima” e me fez lembrar a história do livro, do quanto chorei, ri, fiquei com raiva... do quanto me envolvi ao lê-lo e resolvi fazer a resenha do livro mais tocante que já li.
Quem nunca sonhou em ter uma infância feliz, divertida, alegre, brincalhona, cheio de amigos, podendo correr para onde quiser, tomar banho de piscina, mar, rio, soltar pipa, contar histórias, jogar com os amigos da escola, ganhar presentes de natal e mostrar para os amigos, comer sorvete, doces e bolos a vontade, enfim, viver sua infância na plenitude do que a vida oferece. Zezé é um garoto que apesar das adversidades conseguiu extrair sempre algo de bom da vida.
A obra é semi-autobiográfica, conta a história de Zezé, um menino que nasceu numa família com grandes dificuldades financeira, cujo pai não consegue emprego e a mãe era ausente do ambiente familiar, pois tinha que trabalhar para sustentar uma família de 5 crianças mais o marido. Entretanto Zezé era uma criança muito criativa, ativa, inteligente e alegre, mas seu temperamento brincalhão o colocava em más situações, sendo considerado um diabinho pela família e sempre apanhando como castigo das traquinagens.
No meio dessa vida sofrida e cheia de privações, Zezé fez grandes amigos pelo caminho, pessoas que realmente gostavam dele e o ajudava a superar todos os maus que estava passando, como por exemplo, seu pé de laranja lima, apelidado de Minguinho que sempre estava pronto para escutar e conversar com seu dono e levá-lo as maiores aventuras cavalgando em seu cavalo branco. Assim também como a sua professora que viu em Zezé uma criança muito inteligente, gentil e justa.
Mas seu maior companheiro foi o Portuga, ou como poucos o chamam, Sr. Manuel Valadares. Zezé que no começo o considerava como seu maior inimigo, viu no velho Portuga, que tem o melhor carro do mundo, um grande amigo. Depois do começo dessa amizade Zezé passou a suportar todas as punições que lhe passavam com mais facilidade e também a se comportar mais para que pudesse se encontrar com seu melhor amigo sempre que quisesse.
Neste livro eu morri de rir com os comentários sinceros e diretos de Zezé, fiquei com raiva da família dele pelo modo como tratavam essa pobre criança e chorei de soluçar com as perdas e sofrimentos que esse menino passou. Para quem quer se emocionar com uma boa leitura recomendo o livro “Meu pé de laranja lima”, você não vai se arrepender.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Resenha - Auto da Compadecida



Ariano Suassuna
Auto da Compadecida
Saraiva de Bolso (edição especial)
Rio de Janeiro, 2012 - 157 páginas
Idioma original: Português

O Auto da Compadecida é uma história conhecida e adorada por todos os brasileiros. Uma peça teatral que foi adaptada para a televisão, cinema e livro, que conquistou a todos com seu alto teor de humor, regionalismo e com leves toques de crítica velada nos risos. Esta obra esta mais do que consagrada na cultura popular brasileira.
A obra passa-se em três atos: no primeiro ato é contada a história do enterro do cachorro; o segundo é sobre o gato que “descome” dinheiro e da gaita magia; e o terceiro ato mostra o julgamento divino dos mortos pecadores. Esta história é uma compilação de quatro contos populares de literatura de cordel. O livro tem a estrutura de um texto de peça teatral, no qual Suassuna transformou os contos de 3ª pessoa de estrutura narrativa dos cordéis em texto de prosa na 1ª pessoa.
O humor da obra é indiscutível, o padeiro chifrudo, o padre oportunista, o bispo ganacioso, a mulher fogosa do padreiro chorando a morte do cachorro, o frouxo e contador de histórias do Chico, até Manoel e Nossa Senhora tem seu ar cômico na história, mas o destaque com certeza fica com João Grilo e seus tramites para se dar bem.
João Grilo é um homem pobre, com pouca escolaridade, trabalhador que sonha em se dar bem na vida e para isso ele usa de sua inteligência e raciocino rápido para aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe dá, entretanto cada história que ele inventa sempre acaba dando confusão e para contorná-la João Grilo acaba entrando numa confusão maior ainda e assim vai até que ele se sinta satisfeito e se dê bem. Esse personagem é trapalhão, trapaceiro e vive metendo ele e seu amigo Chicó em confusão, mas seu carisma e sua comicidade fazem com que sempre torçamos para que ele se dê bem no final.
Os diálogos são muito inteligentes, cheios de gírias regionais do interior do nordeste e, claro, cheio de ironia, mostrando o lado corrupto, individualista e ganancioso do ser humanos de uma forma bem engraçada, mas também mostra o lado puro do coração do homem, como o companheirismo, amizade, amor e fidelidade que em situações extremas sempre prevalecem.
O artifício de Suassuna de fazer com que um palhaço conte a história como se a platéia estivesse no circo e a peça acontecendo no picadeiro, torna o livro ainda mais encantador e lírico. Não é a toa que este livro se tornou um clássico e uma obra referencia da cultura brasileira, só o que posso fazer é me juntar a milhares de leitores que já tiveram o prazer de ler esta obra e em uníssono dizer com eles: “Recomendo. Leiam. Vocês vão rachar de rir. Não irão se arrepender.”

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Resenha - Conto de inverno



William Shakespeare
Conto de Inverno
Editora UFRJ
Rio de Janeiro, 2005 - 297 páginas
Idioma original: Inglês
Tradutor: Aíla de Oliveira Gomes

Primeiro livro de Shakespeare que leio até o final e devo dizer que estava com receio de não entender nada com a linguagem rebuscada da época, entretanto confesso que foi bem fácil de ler, me surpreendi com a fluidez da leitura e acabei despertando a curiosidade de ler outras obras deste autor tão renomado.
A história é contada na estrutura de uma peça de teatro, o que também foi uma novidade para mim, achei bem interessante imaginar as cenas sendo apresentadas no palco. Apesar de ter apenas diálogos, são inseridos elementos teatrais para compor a história, como exemplo, a indicação quando os personagens entram e saem do cenário, a explicação de qual cenário que acontece numa determinada cena ou até a indicação para quem a fala esta sendo direcionada.
A peça conta a história de dois reis muito amigos, o rei da Sicilia e o rei da Boemia, entretanto durante uma visita do rei da Boemia ao da Sicilia, este segundo levado pelo ciúme acusou o amigo e a esposa de traição, a partir daí acontecem várias desventuras que levam a história à um final surpreendente (e até fantasioso na minha opinião).
A peça é bem desenvolvida, contando a história de maneira direta, em todas as cenas ocorre um acontecimento que leva a outra cena, sem enrolação, a não ser talvez na cena onde o rei da Boemia descobre sobre o amor secreto do filho, aquela cena para mim não teve muito sentido, não era uma cena engraçada, nem serviu para dar expectativa, muito menos suspense, simplesmente desnecessário.
Além desta cena que citei outra parte da história que não me agradou muito foi o final da peça. Não contarei o final, mas posso dizer que o achei muito fantasioso e forçado, sinto que faltou coragem para fazer um final menos “viveram felizes para sempre”m principalmente depois de acontecer tanta desgraça durante a história é estranho que o final seja bom para todos. Talvez para peça tenha um impacto mais forte, algo mais significativo, atrativo, mas particularmente não gostei.
Apesar desses adventos, eu gostei muito da leitura, tanto que fiquei com vontade de ler outros livros de Shakespeare (sem ter o medo de ser rebuscado demais). Recomendo essa leitura, é bastante interessante ler um livro na estrutura de uma peça, nos dá uma visão geral do espetáculo, imaginando como seriam os cenários, os figurinos, as luzes, os efeitos... chegando até a estimular a ideia de executar a peça com os amigos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Resenha - Marley e eu



John Grogan
Marley e eu: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo
Prestígio Editorial
São Paulo, 2006 - 304 páginas
Idioma original: Inglês
Tradutor: Thereza Christina Rocque da Motta; Elvira Serapicos

Todos sonham em ter um amigo leal e amoroso que esteja sempre ao seu lado, alguém que brinque com você quando estiver alegre, te console nos momentos triste, ou que te proteja quando estiver em perigo e principalmente que lhe entregue o coração incondicionalmente, sem exigir nada em troca. Muitas pessoas encontram esse ser no seu cachorro, o animal domestico considerado o melhor amigo do homem e no livro “Marley e eu” Marley é esse ser que tanto esperamos em nossas vidas.
O livro conta a história de um jovem casal de jornalistas começando uma vida a dois com seus planos, sonhos de carreia e desejo de começar uma família. Tudo começa quando a Jeny deixa a planta que seu marido, John, deu a ela morrer de tanto aguar, frustrada ela fica preocupada com o futuro afinal como alguém que não consegue manter uma planta viva pode cuidar de uma criança? E daí vem a idéia de comprar um cachorro e assim começa a aventura de uma nova família.
Marley é um típico labrador, brincalhão, carismático, carinhosos, alegre, amigável, o tipo de cachorro que se faz ser notado o tempo todo, mas junto com todo esse carisma vem o seu jeito estabanado, afobado, sua dificuldade de atender comandos e sua energia inesgotável e é esse cachorro que protagoniza a história de vida desta família que esta se formando.
A história da família Grogan é contada desda compra de sua primeira casa até o nascimento dos três filhos e quem estava ao lado deles em todos os momentos é Marley. Apesar de não gostar muito de cachorro, o autor me fez ver de uma maneira bem clara e sincera o amor que eles tinham por esse cão, mesmo ele sendo o “pior cão de todos”. O carisma que Marley exalava era notável e o carinho que a familia tinha por ele é algo difícil de encontrar hoje em dia, a maioria das pessoas costumam dar ou largar o seu animal de estimação quando eles começam a dar mais problemas do que alegria.
O amor entre o cão e seus donos era tão visível que é impossível não se tocar com a descrição de seu envelhecimento. Este momento pré-morte é mais duro e tocante do que o próprio adeus final, é difícil ver alguém que tinha tanta vida e energia ir minguando de pouco em pouco, adquirindo doenças atrás de doenças sem poder fazer nada, mas infelizmente isso é um estagio da vida da qual não se pode fugir.
Sem contar que o livro dá uma direção aqueles que querem começar a criar um cachorro, principalmente se esse cão for um labrador. Mostra a necessidade de pesquisar sobre a raça antes de comprar, os cuidados que tem que ter quando o cachorro é filhote e quando ele vai ficando velho, o momento certo de adestrar...
Recomendo a leitura desse simples e tocante livro, ele vai lhe dar um lição de solidariedade, amor, companheirismo... de vida. Você vai ficar com vontade de ter um filhote para poder viver todos os sentimentos e aventuras com ele, até eu que não gosto de cachorro tive vontade.

terça-feira, 12 de março de 2013

Resenha - As crônicas de gelo e fogo: A guerra dos tronos (livro 1)

George R. R. Martin
As crônicas de gelo e fogo – A guerra dos tronos (livro 1)
Editora Leya
São Paulo, 2010 - 592 páginas
Idioma original: Inglês
Tradutor: Jorge Candeias

Depois do estrondoso sucesso do seriado baseado nessa saga literária que leva o mesmo nome, a épica aventura criada por George R. R. Martin se populariza e ganha o mundo. Com uma escrita bem descritiva e a criação de um mundo tão detalhado que mescla um pouco a era medieval com um mundo fantástico, hoje o escritor é comparado com o detalhista J. R. R. Tolken e com certeza o escritor americano não fica atrás do britânico.
A história se passa num mundo pós revolução e morte do tirano (e louco) rei dos 7 reinos da casa Targaryen e a estruturação de um novo reino de paz cujo comando esta na mão do forte e poderoso rei Robert da casa Baratheon. Entretanto outra casa gananciosa começa a tramar para ocupar o poder de comandar todos os reinos e a partir daí começa a verdadeira guerra dos tronos.
Todos os trâmites estão tão bem enlaçados e todos os acontecimentos têm uma importância enorme do desenvolver da história que fica difícil falar desta magnífica obra sem soltar algum spoiler, mas farei o máximo possível. Para não correr este risco tentarei não falar sobre a história em si (que me impressionou muito e tem assunto de sobra para se discutir, mas deixarei isso para discutir com meus amigos) e me aterei a estrutura, escrita e o modo como esse incrível escritor escolheu desenvolver sua história.
O mundo que George criou é realmente fantástico, através da descrição detalhada das paisagens, construções, cidades, vestimentas, o modo como os personagens se comportam, falam, cavalgam, a pouca idade com que os personagens entram a vida “adulta”... tudo isso faz com que nos transportemos facilmente para esse mundo que esta a espera do inverno.
A confirmação de que todos os personagens têm uma importância para a história é a forma com que o escritor escolheu dividir seus capítulos, cada um deles é contado do ponto de vista de um dos personagens da história, dando a chance de desenvolvê-los e assim o leitor passar a se identificar com cada um deles, facilitando também a memorização de cada um dos milhares de personagens que compõem a história. Essa estrutura ajudou também na melhor forma de contar uma determinada cena, como por exemplo, a guerra contada do ponto de vista de Catelyn ficou muito mais interessante do que pelo ponto de vista de Robb que estava na batalha, o que poderia tornar a descrição da luta um pouco maçante.
O primeiro livro já mostra a história se desenvolvendo em vários núcleos separados, mas de alguma forma o escritor consegue mostrar de uma maneira sutil que estão todos interligados, seja através de uma selvagem capturada ou um espião do outro lado do mar. E esses acontecimentos nos fazem ficar mais instigados com a leitura, sempre esperando o momento em que as histórias vão se esbarrar e se transformar em uma só. Em apenas uma grande e épica guerra.
Interessante ressaltar também o modo como é incrementado os personagens fantásticos (como gigantes, os Outros, os dragões, as magias...) na história. É contado de uma forma que acabamos aceitando todos esses seres mitológicos sem nem mesmo questionar-mos, quase chegando a acreditarmos que é possível viverem seres fantásticos no nosso mundo.
Com certeza este livro e escritor ganharam um lugar cativo na minha estante mais alta (ao lado de Senhor dos Anéis e A Torre Negra) e não espero a hora de ler os outros livros para ver o desenrolar de todos os personagens, tantos os meus favoritos, quantos os que detesto. Se você tiver um tempinho disponível na sua corrida rotina, dê uma chance a saga dAs Crônicas de Gelo e Fogo, mesmo lendo só umas 20 páginas por dia, seja paciente e saboreie em doses homeopáticas essa incrível história que com certeza se tornará um clássico.

P.S.: Apesar de não caber comentar isso na resenha, não poderia deixar de falar que o seriado dA Guerra dos Tronos é a adaptação de uma obra literária mais perfeita que já assisti.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Resenha - Swing: A vida real de uma praticante de troca de casais

Belle
Swing – A vida real de uma praticante de troca de casais
Matrix Editora
São Paulo, 2007 - 139 páginas
Idioma original: Português

Com a popularização do livro “50 Tons de Cinza” cada vez mais pessoas tem se interessado em ler esse tipo de literatura erótica. Entretanto o livro “Swing – a vida real de uma praticante de troca de casais” se destoa dos livros modinha que tem sido lançado ultimamente. Não sei por que as pessoas têm o costume de associar conteúdo erótico com sadomasoquismo, o que felizmente não é verdade e esse livro mostra que o erótico pode ser praticado sem as tapas, amarras, chicotes, couros e submissão que os livros do estilo da atualidade têm tentado vender.
“Swing – a vida real de uma praticante de troca de casais” é um livro autobiográfico escrito por uma mulher que se auto-intitula Belle, em homenagem ao filme francês Belle de Jour que conta a história de uma burguesa casada com um médico que as tardes ela vai trabalhar num bordel. O livro nada mais é do que o relato das suas próprias experiências sexual com seu parceiro chamado Leo (nome fictício).
A história começa com a batalha de Leo para conquistar o afeto de Belle até eles passarem a namorar, o que surpreende de uma maneira positiva, pois enquanto todos pensavam que iriam ler mais um livro que só falava de putaria, logo de cara se depara com um capitulo inteiro do momento da conquista entre o casal. A autora ainda foi inteligente em colocar trechos picantes de pegação entre eles no meio dessa narrativa pré-namoro, e assim conseguiu prender o leitor que queria ver mesmo o lado erótico do livro.
Depois desse começo diferenciado, Belle começa a contar suas experiências nas casas de troca de casais de São Paulo. Como foi a primeira vez que ela frequentou uma casa dessas com Leo, a primeira vez que fez sexo com mais de uma pessoa, a primeira vez que tem uma experiência lesbica, a primeira vez que fez anal com Leo...enfim, a partir do 2º capitulo até o final é uma sucessão de primeiras vezes.
A autora deixa sempre claro no livro que a intenção dela não é defender nem tentar fazer com que outras pessoas frequentem essas boates de troca de casais, ela quer apenas dividir com outras pessoas as suas experiências e tentar desmistificar alguns pré conceitos que existem sobre essa prática. No caso dela essa pratica fortalece a união do casal, mas isso não significa que acontecerá com outras pessoas, afinal cada um reage de uma forma diferente.
Um artifício que a autora tentou fazer até o final do livro, mas que na minha opinião não conseguiu, foi mostrar que no meio de tanto sexo não convencional tinha também o carinho, amor e ternura entre o casal. No começo isso funcionou perfeitamente, provavelmente por ainda estar bem recente a descrição do começo da história de amor deles, mas depois de um bom tempo só lendo sobre experiências sexuais de Belle, esse momento cândido nem passava mais na cabeça do leitor e apesar dela ficar o tempo todo falando da relação de amor, carinho e respeito deles, não foi possível manter o mesmo sentimento que existia no começo.
Dentre os livros do estilo que eu já li, esse foi um dos que mais gostei, entraria logo após “Luxúria - A Casa dos Budas Ditosos” e “A Garota que Só Pensava Naquilo”. Os pontos positivos do livro são: não ter submissão e sadomasoquismo no meio, a escrita ser bem excitante e o fato de ser uma história real deixou as cenas muito mais picantes do que seriam caso fosse uma história fictícia onde costumam exagerar muito nas descrições dos atos sexuais. Para quem gosta do estilo e para quem quer experimentar algo novo, recomendo!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Resenha - Cotoco

John van de Ruit
Cotoco - O diário perversamente engraçado de um garoto de 13 anos
Editora Intrínseca
Rio de Janeiro, 2010 - 392 páginas
Idioma original: Inglês
Tradutor: Marcelo Mendes


Confesso que quando li o titulo do livro pensei: “O que tem de bom para saber sobre o cotidiano de um garoto de 13 anos? É quase como achar interessante ler a biografia de Justin Bieber.” E tenho que dizer que me equivoquei um pouco, a vida de um garoto de 13 anos pode ser tão interessante quanto de uma estrela de cinema, vai depender sempre de sua imaginação e dos seus companheiros de batalha.
O livro conta a vida de John Milton um garoto de 13 anos que mora na África do Sul, inteligente, gosta de leitura e é interessado em temas políticos, a história se passa no momento em que ele começa a freqüentar um internato para garotos, no qual logo nos primeiros dia foi apelidado de Cotoco por ser o garoto menos desenvolvido (anatomicamente falando) dentre os novatos. Vindo de uma família muito maluca, onde o pai é alcoólatra e doido de pedra, a mãe louca concertando as maluquices que seu marido faz e a avô pensa que é da realeza, nada mais do que normal o garoto ter receio do que virá da nova experiência fora do seu ambiente familiar (que já era um desastre). Chegando a sua nova escola, logo de cara Cotoco reconhece que seus companheiros de dormitório são tão loucos quanto sua família e talvez por isso já tenha simpatizado com todos logo no inicio e juntos começam a aprontar no colégio interno, chegando ao ponto de serem conhecidos como os 8 loucos.
Embora o subtítulo do livro fale que é um “diário perversamente engraçado” (e por isso que escolhi este livro para o desafio literário de fevereiro), a história não tem muitos momentos engraçados, pelo contrário, em 392 páginas só li algo realmente engraçado em duas passagens. Isso não torna o livro ruim, mas é impossível não ficar desapontado, pois com um titulo desses esperamos um livro no faça rir em vários momentos, entretanto essa propaganda do subtítulo só serve pra criar uma sensação de desapontamento no final do livro.
Todavia o livro é uma boa leitura para se passar o tempo, ele é bem escrito com uma linguagem simples e limpa, o livro é estruturado como um diário e assim o narrador é em primeira pessoa, sendo ele o personagem principal. A obra não é separada por capítulos e sim por dias demarcando bem como decorre o tempo na história, apesar de interessante essa escolha acho que essa foi a principal causa da falta de diversão do livro, por ser um diário a narrativa é sempre bem curta e se atem aos fatos, ou seja, as passagens que deveriam ser engraçadas perdem um pouco o encanto por ser contado de uma forma seca e rápida, sem ter tempo para desenvolver a história e ir preparando o terreno para o ato cômico.
Mesmo o livro não sendo tão engraçado como esperei, ele é uma boa opção para aqueles que estão querendo dar uma pausa naqueles livros pesados e de difícil compreensão. Com certeza este livro não entrou na lista dos meus favoritos, mas também não me arrependo de ter lido, chego até a indicar essa leitura aos amigos, deixando bem claro que eles não esperem algum acréscimo cultural à sua vida.
Então se sente, acomode-se e curta as armações da pesada que um garoto de 13 anos e seus coleguinhas vão aprontar durante seu primeiro ano no colégio interno. (chamada de filme da Sessão da Tarde).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Resenha - As aventuras de Tom Bombadil

Este ano resolvi fazer um desafio literário diferente, como no ano retrasado o desafio era ler pelo menos 50 livros no ano (li 51 livros) e no ano passado era impossível para mim fazer qualquer tipo de desafio literário, este ano apesar de ser bem corrido por estar no ultimo ano da faculdade, resolvi entrar num desafio mais light. Uns amigos meus me recomendaram fazer o desafio literário do blog Desafio Literário (http://desafioliterariobyrg.blogspot.com.br/) que consiste basicamente em ler um livro por mês, entretanto cada mês tem um tema que você tem que respeitar. Bom, as regras estão no site caso vocês se interessarem.
O que mais me interessou nesse desafio não era a quantidade pequena de livros que tenho que ler (até porque estamos em fevereiro e já estou no 6º livro), mas o fato de ter que fazer uma resenha para o livro escolhido do mês e publicá-la  no blog do DL. Gostei tanto desta ideia que resolvi fazer um resenha para todo livro que ler esse ano. Fazia tempo que queria me forçar a escrever mais, pois essa era uma pratica que eu gostava muito e que fui deixando de fazer com o tempo. Tenho vários projetos inacabados ou perdidos nos cadernos ou nas pastas no meu computador, como livros, resenhas de filmes, animes, livros, contos, crônicas, poemas...
Enfim , começarei postando aqui a resenha que fiz para o 1º livro do DL. O tema de janeiro era "tema livre" e resolvi ler "As aventuras de Tom Bombadil", ainda estou me familiarizando com a estrutura de uma resenha, mas espero que gostem. Pretendo melhorar nas próximas.


Tolkien, J. R. R.
As aventuras de Tom Bombadil
Editora Martins Fontes
São Paulo, 2008 – 189 páginas
Idioma original: inglês
Tradutores: William Lagos e Ronald Eduard Kyrmse

Para aqueles apaixonados pelas raças, batalhas, mapas, anéis e tudo que for relacionado ao mundo da Terra Média criado pelo brilhante escritor J.R.R.Tolkien vai achar no mínimo interessante o livro do mesmo chamado “As aventuras de Tom Bombadil”, todavia para aqueles que ainda não tiveram contato com esse mundo fantástico recomendo uma leitura prévia de outras obras do autor, senão esse livro não vai ter muito sentido para o leitor.
Tom Bombadil é um personagem que também aparece em outras obras do autor, como “O senhor dos anéis”, porém suas aparições são sempre muito rápidas e enigmáticas, talvez por isso Tolkien resolveu escrever esse livro com o objetivo de nos falar um pouco mais sobre essa criatura carismática.
O livro foi todo escrito em versos, cada capitulo é composto por um poema que conta a história ou lenda de uma criatura e apesar do livro se chamar “As aventuras de Tom Bombadil” os poemas não se restringe apenas aos seus feitos. A maioria desses poemas conta sobre situações do cotidiano dessas criaturas, sempre muito focado na natureza, muitas vezes ela própria sendo o personagem principal do poema.
Pelo fato do livro não ter sido escrito da maneira tradicional de um romance, não existe continuidade na história, cada poema é uma história totalmente isolada da outra e isso dificulta a caracterização do personagem principal do livro, ou seja, aqueles que gostariam de desvendar um pouco mais sobre Tom Bombadil terá que forçar um pouco a mente para decodificar quem (ou o que) seria ele.
Entretanto o livro é muito gostoso de ser lido, o trabalho de tradução do livro foi feito com muito cuidado e carinho, tentando o máximo possível se manter fiel ao original e ainda manter a poesia rítmica marcante nos poemas da Terra Média. O livro é estruturado em três partes: a primeira se encontra os poemas traduzidos pelo poeta William Lagos que teve como objetivo manter a estrutura do poema original em versos brancos; já a segunda parte é feito uma nova tradução dos poemas de Tolkien realizado pelo Ronald Eduard Kyrmse que com seu conhecimento mais aprofundado sobre a Terra Média o tradutor preocupou-se em traduzir os versos de maneira mais literal e mais fiel a cultura da Terra Média respeitando a rima e a estrutura métrica do autor; e por fim a terceira parte que vem com os poemas na língua original (inglês), o que proporciona ao leitor a possibilidade de captar um pouco mais da poesia que tinha sido perdida no processo de tradução.




Pedro Gil de Macedo Souza